ENTREVISTA – Ronald Rios e Erik Gustavo revelam a verdade da internet em fotos sem marca d'água

A tarde de sexta-feira vem acompanhada de sonoros 45 graus na ENSEADA DO LEBLON no Rio de Janeiro. É fim de janeiro, e se aproxima o momento conversar com Erik Gustavo e Ronald Rios, dois caras como você – já foram capa da Rolling Stone, atropelaram o MST e agora “ganharam um programa” na MTV. Não sem antes, claro, bombarem na web com os vídeos da série humorística de ficção Com a Palavra, Ronald Rios.

Mas falávamos do sol que estoura miolos no Leblon, sem relógios próximos que pudessem ajudar na construção do parágrafo inicial. Enquanto isso, Ronald e Erik respondiam por email, alternadamente, a algumas perguntas enviadas pelo Yahoo Respostas pirateado que baixamos ontem. A entrevista não esclarece pontos básicos, como onde eles nasceram e o que eles estudam ou estudaram, mas inclui imagens inéditas  (e sem marca d’água), vírgulas no lugar certo e algumas frases que seriam censuradas facilmente em outros domínios. A seguir: humor, internet, Nana Gouvêa, EIXO DO BEM e o novo programa na MTV – o Badalhoca*.

AMIZADE, ESQUEMAS, CORRERIAS

- Como se formou a dupla (e, paralelamente, a produtora Badalhoca)? Vocês sempre foram amigos?
Erik Gustavo:
O Ronald tinha com uma galera um blog chamado Rock de Índio, que trazia downloads, resenhas e notícias de bandas do cenário “indie” da época. Eu visitava e curtia, além da música em si, o humor dos posts. Aí um belo dia entrei em contato com o Ronald e pedi pra colaborar escrevendo. Foi muito bom, mas um dia acabou. Nessa época eu fazia estágio em uma TV universitária e lá fui aprendendo a editar. Aí eu fazia testes com vídeos que gravava de amigos, sem roteiro, e jogava na internet. Ele viu e me passou algumas idéias pra produzirmos juntos.

Ronald Rios: Não somos amigos até hoje…

- O “processo criativo” envolve mais roteiro ou improviso?
RR:
No começo era 100% roteirizado, nos primeiros vídeos – isso antes do Com a Palavra. Depois exploramos bastante o improviso no Com a Palavra. Com o tempo, ele foi se tornando roteirizado, mas com muito improviso na hora de cuspir as paradas. Nos últimos 6 ou 7 Com a Palavra, eu já levava bastante coisa de casa para fazer. Claro que o improviso tem um grande papel. Texto, mesmo, eu não uso. Tenho as piadas anotadas num papel. Às vezes é uma observação, uma ideia, história. Na maior parte das vezes, vou contando isso e me divertindo durante a coisa até que GOL.

EG: Estou perplexo com a declaração do Ronald de que não somos amigos até hoje, vou pular essa resposta em claro protesto.

Foto aliciada do Twitpic de Erik mostra um Xbox 360 e, mais no alto, o barrilzinho de Heineken

- Quem é o público de vocês? E o que eles procuram?
RR
: Marcelo, Andressa, Vagner, Júlio, Roberto, Júlio, Mariana, Mateus, Olavo, Otávio, Sérgio, Cebola, André, Milton, Marcelo Santiago, Santiago Marcelo, Richard Gere, III Reich, Dr Dre, Bill Clinton e mais algumas outras pessoas são o nosso público. Acho que o César também faz parte. Procuram alguém que anda procurando tomar um processo, eu imagino. Eu me vejo como o humorista das pessoas que não gostam de humoristas.

EG: Com certeza todos procuram por Nana Gouvêa e acabam caindo nos nossos vídeos. Até quando passamos na TV, as pessoas estão procurando Nana Gouvêa pelos canais. Eu sei disso porque só assisto o programa em que a gente passa enquanto procuro por ela.

- Além de vídeo, vocês (mais exatamente o Ronald) também fazem texto no site da MTV. Vocês pensam em testar outros formatos também? Vocês fariam stand up?
EG:
Já me convidaram pra entrar num grupo de stand up mas não achei boa ideia, por não me virar bem com texto decorado e plateia. Já passaram vídeos nossos em telões pra plateias, eu sempre fazia questão de me esconder até os risos/palmas finais. Se não havia risos/palmas eu ia direto pra casa.

RR: Eu já fiz stand up uma época. Tenho vontade de voltar aos palcos, mas não para fazer stand up. Tenho uns planos, mas não tenho tempo de executá-los. Não é minha prioridade. Prefiro utilizar minhas ideias de stand up no Com a Palavra. Eu queria muito fazer um programa de rádio. Rádio mesmo, não podcast. Podcast é tão 2006. E tô trabalhando num filme, colaborando no roteiro.

EG: Estamos estudando uma animação, também. Vai ser legal, é uma ideia antiga minha. Todo mundo gosta de desenho animado, de crianças a pedófilos.

- Até que ponto o videogame desgraçou suas vidas? Existe algum caso bizarro envolvendo games? (sempre existe)
RR:
Nenhum caso bizarro comigo. Ligo, jogo e desligo. Eu não jogo Doom. Não mato pessoas no cinema. Quem joga Doom desgraça é a vida dos outros, quando chega no pátio da faculdade com uma Uzi…

EG: Sempre joguei bastante, do Atari 2600 até o PS3. Na sexta série eu caí na porrada na escola só pra ser suspenso e passar a tarde seguinte jogando em casa. Eram tempos de violência. Hoje divido os videogames com um amigo. Nenhum dos dois tem tempo pra se dedicar tanto, daí fica um tempo na casa de cada um. O meu PS2 tá emprestado com uma amiga e o meu DS tá emprestado com o Ronald. Se bobear não tenho nenhum videogame em casa, vou parar de comprar essas porcarias.

- O comandante Dayvid Braga entra onde nessa história?
EG:
Provavelmente o fã mais ativo. O vídeo em que ele grava um dia de trabalho no McDonald’s é sensacional, recomendo a todos: http://www.youtube.com/watch?v=qSo4pXx413o

RR: Cara… ele é o Zina que não carece de nossa interferência. Acho ótimo. Tive o prazer de conhecê-lo antes de todo mundo, quando, há muitos e muitos meses, ele me adicionou no orkut com 2 profiles. Eu aceitei um pedido e neguei o outro. Ele tornava a me adicionar novamente. Lembro de ter ido ver o profile da FIGURA e me encantado. Gênio. Meses depois, viriam seus vídeos Um Tanto Quanto Loucos.

A partir da esquerda, em pé: Erik Gustavo e Ronald Rios durante ritual de passagem na Campus Party 2010, em São Paulo

FAMA, DROGAS, ÍDOLOS DE ESGOTO

- Com a fama vêm as drogas, mulheres, títulos do Brasileirão e a consequente decadência. Como vocês pretendem conciliar essa maldição com a vida boa?
RR
: Na minha vida, não muda nada. Com a fama, só espero que venham coisas de graça, como ingressos para filmes, shows e partidas de futebol. Não uso drogas, tenho namorada e estou satisfeito com o brasileirão de 95, conquistado por Túlio Maravilha, Pantera Negra e outros.

EG: A decadência já rolou para os dois bem antes da fama. O que vier é lucro, até o fracasso.

- Badalhoca é, claramente, uma palavra inventada. Que alerta vocês dariam para quem insiste em relacionar o termo a hábitos ou situações anti higiênicas ou que atentam contra o bem estar social?
RR
: Eu odeio a palavra Badalhoca hoje que sei o significado. Quando eu entrei no esquema, o Erik já havia adotado o nome. Curtia porque soava legal, mas assim como uma bonita suástica, o significado é nefasto! Se me perguntarem o significado, eu digo que é amor em japonês.

EG: Boa pergunta, gosto de esclarecer isso. O nosso “Badalhoca” não tem nada a ver com “merda” ou falta de higiene. O que acontece é que eu costumava pegar uma menina que jogava vôlei, e em uma conversa ela falou sobre a seleção das olimpíadas de 1984 (Los Angeles, EUA), medalha de prata. Um dos integrantes era chamado Badalhoca, e isso a Wikipedia pode provar http://pt.wikipedia.org/wiki/Badalhoca. Achei válido fazer uma homenagem a esse ídolo do esporte que conseguiu vencer na vida (ou quase isso) mesmo com um apelido que muita gente julga estranho.

Nana Gouvêa, em foto emprestada do Ego, é o motivo da audiência dos humorísticos da dupla, segundo ranking de blogueiros mais famosos e ricos do Brasil

- Com a Palavra mexe com temas delicados, que às vezes podem incomodar a família brasileira. A linha editorial vai ser a mesma na TV?
RR
: A mesma. O horário do programa vai nos permitir isso.

EG: Difícil agradar a família brasileira, não consigo agradar nem a minha família inteira.

- O que vem nesse programa novo: explosões, mulatas, roteiristas vindo de blogs de sucesso?
RR
: Alguns quadros que não podíamos fazer antes por falta de grana para contratar um atriz, por exemplo. Contaremos com o fantástico talento Chico Barney trazendo ideias para a mesa. Mas por favor, não coloque a palavra “blog” e “sucesso” na mesma frase, ok?

EG: Logo que o orçamento aumentar nós teremos pelo menos duas explosões por episódio. As mulatas a gente ainda está tendo encaixar, nada certo sobre elas.

- O programa novo, além das ideias do Chico Barney, vai ter a participação efetiva de mais alguém? Ou continua sendo um programa pensado e feito por vocês dois?
EG:
Continua sendo pensado e feito por mim e pelo Ronald, mas o Chico vai colaborar com algumas ideias. É um cara que a gente admira e tem ideias a frente do seu tempo.

RR: O Chico é um cara brilhante que entende muito como eu falo. Eu tive uma ideia para um quadro e só passei o BRIEFING para ele. Ele escreveu exatamente como eu falaria.

- O que vai mudar na produção? Continuam no Rio, mudam pra São Paulo?
EG:
Continuamos no Rio, mais precisamente no meu quarto.

RR: Sempre ouvi dizer que no show business o dinheiro está em São Paulo e eu teria que ir até lá buscar. Bom, trouxemos ele pra cá. O próximo passo é trazer o New York Jets.

- Vocês se vêem como substitutos de Hermes e Renato? Esse espaço maior na MTV ia acabar rolando de qualquer jeito?
EG:
O espaço ia rolar de qualquer jeito, não vamos substituir ninguém. Os caras são muito bons, sinceramente espero que continuem no mesmo nível na Record.

RR: Nosso programa foi confirmado ali por volta do Natal, um ou dois dias após a festiva data. Já tínhamos nos reunido na emissora para discutir um programa uns dois meses antes, inclusive. O piloto fora mandado uns 2 ou 3 meses antes disso. Ou seja, é algo que vinha sendo trabalhado há um bom tempo. Acontece que essa informação só foi para a imprensa quando surgiu a informação dos Hermes e Renato saindo da MTV. Daí ficou parecendo que somos substitutos e tal e coisa. Não somos. Foi uma coincidência.

Ronald Rios, Wagner Martins (Mr. Manson) e Chico Barney discutem a problemática da acústica campuseira durante celebração na Campus Party 2010

BLOGAR POR DINHEIRO, COPIAR DO INGLÊS E LEGENDAR

- É possível falar em “gerações do humor” na internet brasileira ou ainda é cedo? Vocês estariam no rótulo “influenciados pelo Cocadaboa e membros orgulhosos do Interbarney”?
RR
: Eu lia Cocadaboa aos 13 anos e isso certamente mexeu comigo. Obrigado, Mr Manson e Ulisses Mattos. Eu li uma geração de blogs de humor linda. Era babaca, era intelectual, era engraçada e original! Hoje em dia… blog de humor de sucesso é qualquer um que pega coisas engraçadas/bizarras/polêmicas e posta isso. Tipo, ACHAR algo maneiro e colocar uma frase embaixo não significa que você é maneiro. Significa que você não tem amigos.

EG: Tem o Eixo do Bem e o Eixo do Mal. Nós fomos colocados no segundo, pelos membros do primeiro. Os do Eixo do Bem são aqueles que traduzem piadas, não dão créditos e apelam pro óbvio. Sinceramente acho que é o caminho mais fácil pra fazer sucesso (mesmo que seja sucesso na internet).

- Já surgiram no YouTube vídeos “homenageando” o formato do Com a Palavra. É a criatividade do brasileiro?
EG:
Não acho que o brasileiro seja criativo. Não me lembro da última grande invenção de um. Essa história do avião é complicada, Santos Dumont x irmãos Brown. Dois contra um, EUA vencem. Sobre as “homenagens”, vez ou outra aparecem pessoas imitando o estilo, a maioria sendo muito ruim por tabela. O Dayvid Braga se destaca no meio desses, porque não parece que ele está tentando imitar o estilo do Ronald (se está tentando, não está parecendo). Mas acredito que todos se darão bem, a TV aberta dá bastante espaço pra gente que copia quadros dos outros e da gringa.

RR: Acho divertido, não ligo. Tem gente que fica em barzinho de São Paulo homenageando o Seinfeld… Francamente, eu prefiro homenagear a Nana Gouvea.

- Vocês vão continuar produzindo o Com a Palavra na internet?
RR
: Não – mas calma! O Palavra vai virar um quadro do nosso programa na MTV. E serão por mês mais ou menos uns 25 minutos de Com a Palavra, ao todo. É mais do que passa noYouTube. Além disso, para quem não tem MTV, os vídeos sempre estarão no nosso site no Portal MTV. Ou seja, vai continuar na internet, sim.

- Antes de vocês, houve a Marimoon – que foi da internet para a TV, na mesma MTV. As coincidências param por aqui?
EG:
Sim, param. Nunca faríamos sucesso com um fotolog, não somos bonitos pra isso. Já teriam desistido da gente.

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*Badalhoca estreia no dia 5 de março, na MTV, às 0h15. A temporada terá 30 episódios.

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Renato Bueno é vítima da sociedade, e por isso joga tudo essas porcaria de joguinho.