“E se qualquer um pode falar de videogame, agora é sua vez de também desfilar seus pitacos a respeito de qualquer outra coisa, com iguais chances de ser aceito e respeitado, cavalheiro”, convocou o bilheteiro. Agradeci e procedo.
Acaba de chegar aos cinemas (depois da premiére no YouTube e outros 90 sites filiados) um filme que é A VERDADEIRA REVOLUÇÃO no modo de quebrar o pescoço de cinéfilos de todos os calibres – desde o barbicha de merda até a camiseta com significado e postura social. Em inglês, The Hurt Locker, habilmente traduzido para Guerra ao Terror – mas também passível de ser um Modern Warfare para as massas alheias ao mouse acima de 800 dpi.
Pegue sua carteira de estudante ou seu cartão do Itaú e se arrisque em nome da arte. Mas vá antes das 4, porque paulistano acorda tudo tarde e pode ferrar sua vida. Para não estragar a surpresa, o trailer a seguir será de outro filme, um bem vagabundo, e que no final só confirma que é tudo uma grande pretensão.
São, basicamente, 4 os méritos do tal Guerra ao Terror, que jamais serão sequer equiparados por qualquer outro negócio exibido em sala grande com pelo menos 20 vagabundos comendo pipoca.
1 – Mostra um soldado jogando Gears of War num pedaço lá;
2 – Gasta uns 15 minutos só mostrando um contrinha de snipers no meio do deserto do inferno;
3 – Elimina as chances de cinéfilos citarem palavras e expressões como “roteiro”, “belíssima atuação” e “química entre os atores”, substituindo tudo isso pela paleta onipresente de granada, bomba, sniper, metralhadora .50, cadáver-bomba.
4 - Reúne influências de trabalhos anteriores, como Modern Warfare, sem descartar peças fundamentais da guerra de artilharia suicida, como Company of Heroes e o blockbuster marítimo BioShock.
A única falha de Guerra ao Terror se dá lá pelos 40 minutos, estima-se. Um terrorista indiano/iraquiano fura o bloqueio militar numa favelinha com seu táxi, anda diversos metros e não leva nenhum tiro*. É, enfim, UMA BOA PEDIDA PARA FÃS DE AÇÃO e QUALQUER UM QUE SE INTERESSE PELO CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO.
OBS: * depois ele leva o dele, o que não invalida o registro da crítica.
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