ANÁLISE GOD OF WAR 3: Se quer moleza vai pedir pra mamãe trazer um Toddy com Polenguinho

convidado 31 March, 2010 8

CRISTIAN AOKI (Japão)* – Comprei esse tal de God of War III – falar a verdade eu tô meio broxado de ficar jogando PS3. Diante de tanta tragédia e problemas da sociedade eu realmente me sinto mal em ficar em casa enfiado na frente de uma tela em vez de lutar contra tudo isso. Huahua, que hipocrisia.

O jogo era esperado há anos pelo mercado pois seu histórico nos consoles da geração anterior foi de recordes de venda. Eu mesmo nunca tinha jogado os anteriores e não tinha referência nenhuma dessa porra, o que me deixa na posição privilegiada de analisar o jogo livre de qualquer emoção.

O jogo já começa jogando você numa treta de proporções épicas. Logo de cara você vê qual é a sua proporção diante dos chefões que terá que enfrentar. Imagina um ser humano enfrentando um ser do tamanho de um boneco de playmobil (você), foi esse o sentimento que tive logo de cara.

Imagina um ser humano enfrentando um ser do tamanho de um boneco de playmobil (você), foi esse o sentimento que tive logo de cara.

E o roteiro mostra isso de uma forma muito bonita, texturas e detalhes muito bem desenhados e uma dinâmica que te obrigará a transformar o controle do videogame em uma extensão do seu corpo, senão você vai tá fudido.

Esse inicio épico é como uma prova de fogo, do tipo ¨se você passar merece jogar¨, senão é melhor pegar seu Wii e ficar no Resortinho ou Mariocart brincando com seus amiguinhos enquanto mamãe prepara uma bisnaguinha com leite.

Senão é melhor pegar seu Wii e ficar no Resortinho ou Mariocart brincando com seus amiguinhos enquanto mamãe prepara uma bisnaguinha com leite

POLENGUINHO COM TODDY
O jogo, em si, só começa depois desse episódio. Aí você cai na real, com uma arma medíocre, e terá que seguir um roteiro linear do jogo. (Notei que não tenho muito tesão de jogos com roteiros lineares depois de ter jogado outros onde você fica livre pra fazer a merda que quiser). Esse desenvolvimento não é muito diferente dos demais jogos do tipo, como Devil May Cry, em que você vai melhorando suas armas conforme vai matando e pegando medalhinhas.

Aí você cai na real, com uma arma medíocre, e terá que seguir um roteiro linear do jogo

Graficamente o jogo é muito bem feito, os cenários são de uma profundidade bela e absurda (imagino isso em 3D) e sempre te reservam uma surpresa. O jogo varia bastante entre cenários em luz do dia ou de noite, cenários apocalípticos ou internos, como masmorras e castelos.

O interessante de God of War III também é que você tem que pensar um pouco, amigão, para conseguir abrir portas ou prosseguir em determinados cenários. Isso eu achei legal, mas penso nos coitados  acostumados a comidinha na boca ou nos toscos que acham que videogame é so uma metralhadora na mão e sair matando todo mundo. Vão gastar um puta dinheiro e encostar o jogo  depois, porque “ficou difícil”. Como eu já disse, se quer moleza vai comprar o Wii e pedir pra mamãe trazer um Toddy com Polenguinho.

O interessante de God of War III também é que você tem que pensar um pouco, amigão, para conseguir abrir portas ou prosseguir em determinados cenários

MAIS TARANTINO, MENOS JOHN WOO
Uma coisa que achei um pouco foda foi o fato de você não poder controlar o ângulo de visão do personagem, como, por exemplo, para explorar os cenários. Às vezes cai numa rotina de explorar os lugares que só quem tá jogando pela primeira vez tem paciência de jogar.

Mas isso é uma questão pequena diante da dinâmica do jogo. A câmera muda de forma propícia a todo momento, dependendo do contexto, e trabalha sempre ajudando você a explorar os lugares, mas ao mesmo tempo faz você pensar e começar a prestar atenção nas coisas.

O jogo não te dá milhões de inimigos fáceis pra matar, estilo John Woo. É um estilo mais Tarantino, com inimigos marcantes. Ele também não faz questão de ser sutil. É jogo pra macho mesmo, é facada na goela, é decepação de cabeça, vísceras e ossos expostos.

O jogo não te dá milhões de inimigos fáceis pra matar, estilo John Woo. É um estilo mais Tarantino, com inimigos marcantes

Cheguei numa fase onde simplesmente você arranca e carrega a cabeça de Helios, deus do sol (procura aí no Google), como uma lanterna que te ajudará nas fases seguintes. A luta entre os chefes exige uma habilidade no controle que você vai adquirindo naturalmente, pois em momentos Fatality você deve apertar rápido o botão que aparece na tela, ou então você perde a sequência e tem que começar de novo pra chegar no golpe fatal.

CACHORRO DE TRÊS CABEÇAS
Alguns chefes são colossais. Você acha que ele morreu, mas o fdp volta. Outros não são muito grandes, mas não deixam a desejar no quesito dificuldade. Estou jogando no modo normal, na tentativa e erro tô conseguindo progredir.

Me lembra muito aquele filme As 7 Cabeças do Dr. Law e figurinhas Rock Attack

Achei muito legal também as referências com as lendas gregas. Você vê referência dos espartanos, de bestas como leão com rabo de cobra, medusa, minotauros, cabeças de cavalo em corpos de aracnídeos, cachorro de 3 cabeças – me lembra muito aquele filme As 7 Cabeças do Dr. Law e figurinhas Rock Attack. Isso até me fez interessar em ler um pouco a respeito.

Ainda não acabei o jogo, e acredito que só vi o começo, mas com o pouco que vi posso dizer que o jogo foi feito por alguém que ficou ali debruçado, pensando muito a respeito, e que não tá chamando o jogador de burro. Traz uma experiência nova pra quem gosta de videogame, valeu o dinheiro.

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Cristian Aoki
trocou Pirajuí pelo Japão – a cidade em questão ainda precisa ser confirmada – com a missão de trazer as notícias mais importantes no gênero dos games, apesar de toda a tragédia nesse mundo.


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8 Comentários »

  1. doda 31 March, 2010 at 2:50 pm -

    DIVISOR DE ÁGUAS

  2. Gus Lanzetta 31 March, 2010 at 3:59 pm -

    Me sinto extremamente ofendido, gosto de moleza, mas dizer que eu tomo Toddy é ridículo! NESCAU FOR LIFE!

  3. Renato Bueno 31 March, 2010 at 5:38 pm -

    Ovomaltino leite com pêra juvenil.

  4. Marques 31 March, 2010 at 8:28 pm -

    Que nada, que nada! O negócio é o irmão mais novo do Toddy: Toddynho. Já a parte das bisnagas, eu concordo.

  5. de pirajui 1 April, 2010 at 3:29 pm -

    foi o assunto do 6º Troféu Gameworld…

  6. LINKO 9 April, 2010 at 12:03 pm -

    O IMPACTO KE MATRIX TEVE NO CINEMA, TODA A NOVA ESTÉTICA, GOD OF WAR FEZ NOS GAMES, ISSO É INQUESTIONÁVEL. A TRILOGIA MOSTROU COMO SE FAZ UM GAME ÉPICO DE AÇÃO NUA E CRUA, SEM PRECISAR SER UM RPG, E DA SQUARE…