ANÁLISE BAD COMPANY 2: Quem dorme de meias e usa calça de pregas vai achar #manero

convidado 20 April, 2010 1

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Cristian Aoki
De Nagoya, no Japão

Peguei emprestado o Battlefield Bad Company 2. Por que não comprei? Bem, um amigo meu, tarado por Call of Duty Modern Warfare 2, comprou, jogou uma vez e encostou. Ele é daqueles pra quem game é só pipoco na tela. Até emprestei a ele uns jogos diferentes, tipo Infamous, Hawx e GTA IV, inclusive o GOW III, que acabei de terminar, mas o cara nem teve a moral de tirar da capinha. Simplesmente não ejeta COD MW2 de seu console.

Ninguém pega filme pornô pra ver historia, e game eu acho que é igual, vamo logo pro vamo ver senão vou ficar lendo meu Twitter enquanto passa filminho.

A Electronic Arts (EA), pra quem viu o Tancredo Neves morrer, ficou famosa em lançar jogos de basquete, futebol americano e hóquei para os consoles como Mega Drive e SuperFamicom (SNES). Se na época você falasse em jogo de esporte, a EA era a referência, tanto que até hoje nêgo lança aquele tal  Madden de futebol americano, isso desde a década de 90. Os caras de lá pra cá fizeram muito jogo legal, se bobear os caras são o número 1 nos EUA.

A série Battlefield é antiga no PC, foi lançada antes mesmo que COD – me lembro de um que logo de início te jogava na invasão da Normandia, show!!!,  tipo cena de O resgate do soldado Ryan. Não, esse era o Medal of Honor. Daí em diante games grandiosos começaram a copiar o cinema. Aliás, tudo hoje tem que ser cinematográfico, o que, ao meu ver, tá cansando um pouco. Se tiver um botão de avançar, melhor ainda, porque vê quem quer. Ninguém pega filme pornô pra ver historia, e game eu acho que é igual, vamo logo pro vamo ver senão vou ficar lendo meu Twitter enquanto passa filminho.

O PARADIGMA MODERN WARFARE 2
Tudo nesse jogo eu comparo a Call of Duty porque parece que Battlefield veio na ganância de superá-lo. A história do jogo é você e mais uns 4 caras boca-suja tentando conter o avanço do exército vermelho no planeta (que original, hein). Esses jogos de guerra tão tudo ficando parecido. Com o controle eu me
adaptei muito rápido porque é bem similar – posso estar falando merda mas até parece que os produtores já sabiam que você já tinha jogado COD. Graficamente o jogo tá bonito e não deixa a desejar mesmo, tem umas paisagens e cenários de quebra-cabeça de 3000 peças da Grow. Tem uma hora que eu achei que tava em Aspen.

Tem umas paisagens e cenários de quebra-cabeça de 3000 peças da Grow. Tem uma hora que eu achei que tava em Aspen.

Nesse jogo você interage mais com os veículos e com o cenário, já que você consegue arregaçar quase tudo na base do pipoco, desde derrubar uma casa inteira até explodir barris e cercas. O jogo propicia isso, já que munição não é o problema aqui. Um mapinha facilita sua vida mostrando onde você pode trocar seu kit de armas e carregar sua munição. Meu, tem hora que era o bêbado tomando conta do isopor, porque eu simplesmente ia só no lança granadas, pois ficava plantado do lado da caixinha de munição. Você consegue matar mais fácil, mas morre mais fácil também, já que de repente, do nada, tu cai e nem sabe de onde veio.

As granadas de mão achei menos eficientes e os inimigos não usam muito pra desentocá-lo, mas o lança granadas acoplado na arma eu uso sem dó. O posicionamento da arma é um pouco deslocado a direita para contemplar melhor sua visão frontal. A posição de deitar não existe, no começo você estranha essas coisas. As bacanas missões e  perseguições sobre veículos  não faltam, como em todo Battlefield, e sempre são bem vindos pra dar uma quebrada na rotina de andar, matar, esconder.

Você consegue arregaçar quase tudo na base do pipoco, desde derrubar uma casa inteira até explodir barris e cercas.

Um detalhe é que com uma sniper não é necessário travar a respiração, e você simplesmente não consegue atirar nos seus companheiros, pique diretriz do Robocop “Never oppose an OCP officer”. Jogando em modo normal, o ritmo do jogo senti que é mais lento, dá mais tempo pra pensar, observar, e é ai que nego pecou. Com menos ação, algumas partes do jogo você acaba reparando mais, parece que botaram o estagiário pra dar uns tapas, porra, uns soldadinhos brotando do nada na tela, a textura da roupa dos cara parece do boneco do Toy Story, umas partes do cenário atravessando o cara morto e outros  bugs que
antigamente você até perdoava porque tudo era mais low tech. Faltou capricho.

SINGLE VS. MULTI
A versão single player é muito boa e diverte, mas ainda é uma versão café com leite de COD. Parece que os produtores se esforçaram muito pra tentar copiar e superá-lo, mas não inovaram em porra alguma e ainda pecaram nos detalhes. Não foi desta vez, EA. Se você é daqueles que iam na Lan house jogar Counter-Strike e ficava abaixadinho ali pra não parecer ser o mais velho que só levava pau da molecada, provavelmente Battlefield é um jogo feito pra você, amigão. Porque Battlefield, diziam na época, era jogo de tiro pra patinhos.

O multiplayer, comparado ao COD, é daminha na varanda. No jogo que participei eram 6 de cada lado, é um esconde-esconde valendo o bairro inteiro de tão grandes que são os mapas. Se houver pouca gente na sala pode ser uma coisa frustrante.  Dá pra você ficar ali passeando enquanto os outros morrem por você. Eu vi algo semelhante a combates em cenários menores, mas não consegui testar tudo ainda.

Mas o jogo tem suas qualidades, e muitas. Comparar o jogo online com COD é injusto, temos que considerá-lo uma abordagem diferente, estratégias, armas e o fato de você poder fuder seus inimigos matando e demolindo árvores e telhados com tanques, jipes e helicópteros – coisa que COD não tem. Quem gosta de mais espaço, como eu, provavelmente será fã dessa porra.

Notei que meus amigos que dormem de meia e usam calça com pregas também gostam mais de Battlefield.

Você, que como eu é pregão no COD, vai ter mais tempo de vida aqui, mas isso não quer dizer que sua vida será fácil, pois para abrir habilidades e armas você tem que esmerilhar muito o dedo no controle e adquirir pontos matando inimigos. Joguei algumas horas e foi acima das minhas espectativas. Notei que meus amigos que dormem de meia e usam calça com pregas  também gostam mais de Battlefield. Peguei emprestado e, bobear, esse jogo vai ter mais vida no meu PS3 do que o meu COD.

Curiosidade:
Depois da crise mundial que afetou muito o Japão, notei um aumento de brazucas jogando online. Por que? Como houve muitas demissões, o governo ofereceu subsidio aos desempregados que variavam de 3 a 6 meses – ou seja, nego  tinha tempo sobrando pra ficar em casa e ainda recebendo. Todo bom desempregado tinha uma boa TV, um PS3 e um Call of Duty. Notei também um aumento de mulheres embarrigando em casas onde o marido não tinha um videogame.

SE VOCÊ CHEGOU ATÉ AQUI, DEVE SE INTERESSAR POR OUTRAS ANÁLISES DE GAMES:

>> Battlefield Bad Company 2: O mesmo jogo, mas na visão de um morador da Aclimação.

>> God of War 3 (Nota 9,5): Senão é melhor pegar seu Wii e ficar no Resortinho ou Mariocart brincando com seus amiguinhos enquanto mamãe prepara uma bisnaguinha com leite

>> Bejeweled Blitz (Nota 39):
O diretor se supera e consegue extrair ainda mais das cenas tensas do longa

>> Aquele das Olimpíadas de Inverno (Nota 5,75):
Diversão gelada para toda a família


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Um Comentário »

  1. bueno 23 April, 2010 at 7:00 am -

    Não deixa de ser diversão para toda a família.