Como definimos um povo? Pela sua cultura, seus índices sociais, seus aspectos econômicos ou suas capas para jogos piratas de videogame?
Certamente não será o Freeko que vai responder isso, ainda mais porque já está meio tarde e o pessoal aqui está acompanhando bem os primeiros capítulos da nova novela Passione [apesar de a publicação deste ter sido atrasada por outras forças nem tão maiores assim]. Porém, se por um lado não há como esclarecer, por outro, existem recursos para gerar a discussão sobre o tema.
Bastou que o game Grand Thef Auto: San Andreas (2004) fizesse sucesso para que, quase que automaticamente, começassem a surgir os patches do jogo – versões piratas do título. Os primeiros alvos da criatividade corsária – antes mesmo do consagrado GTA Sonic – foram as adaptações para metrópoles reais, com aspectos da atualidade.
A pioneira foi a tradução literal, GTA: Santo André, que não teve boa aceitação nos camelôs da região do ABC. Na época, os gamers reclamavam que a Avenida dos Estados, um dos principais acessos para o município, não havia ficado bem caracterizada, com um Hospital muito grande e uma Delegacia maior ainda.
Porém, o grande sucesso das versões veio mesmo das bandas cariocas, com GTA: Rio de Janeiro. E é exatamente nele que se foca a análise proposta. As capas dos patches trazem a discussão social ao mundo dos jogos e, nas imagens mal diagramadas, uma análise semiótica e o possível pontapé inicial do chamado favela game, que abriu portas para lançamentos como Modern Warfare 2 e Viva Piñata.
As capas de GTA e o noticiário carioca
Talvez a mais honesta representação gráfica do patch. As imagens lembram bastante o game em si e, além do Cristo Redentor – figura obrigatória em todas as capas -, há ainda uma citação à A VARIG (acrônimo em português de Viação Aérea Rio Grandense), uma companhia aérea brasileira inoperante.
Destaque para a fonte usada na palavra Rio de Janeiro, que traz tropicalismo e o sinônimo de um Print Artist bem instalado no PC que diagramou a arte.
A predileta da redação Freeko. Além da figura lendária de Zé Pequeno (Dadinho, quando criança), há nessa capa uma referência ao cantor Belo, nome artístico de Marcelo Pires Vieira, crooner e compositor brasileiro que nasceu em Sampa, mas que foi preso nos lados do Rio de Janeiro, em 2002, por envolvimento com o tráfico de drogas. Mas ele já está em liberdade, fazendo shows para caramba e enfim, tá aí no mundão.
Enfim, a capa com o maior traço de realismo de todos os patches de GTA: Rio de Janeiro. Numa mesma passada de olho, vemos oficiais do BOPE carioca subindo uma favela, o líder do tráfico, atualmente preso, Fernandinho Beira-Mar e uma propaganda subliminar da Coca-Cola. Destaque para o canto superior direito, onde o casal Anthony e Rosinha Garotinho dão o ar da graça.
São impressões de mundo, frutos de uma época, vítimas de um tempo. E se essa não é sua praia, vá procurar comparações com a sociedade em Baldur´s Gate então, pow!
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Aguardando ansiosamente a análise sobre as capinhas de Guitar Hero Legião Urbana. Abs!