Conheça o drama do brasileiro que fez fama nos games, perdeu tudo e está de volta ao topo (por enquanto)

Histórias de superação garantem vários cliques, comovem as pessoas e nos dão chances para retomar o caso no futuro, quando o sujeito em questão for flagrado comprando remédios ou começar um banda de pop rock. Talvez não seja esse o caso de Osvaldinho Assunção, tocador de berimbau que se mudou em fresca idade para Nova York, onde desempenhou vários trampos na comunidade brasileira. Aparentemente um nada-na-vida, Osvaldinho entrou para a história ao protagonizar um dos lançamentos mais revolucionários da história dos videogames. Ele não só foi uma das primeiras mãos a segurar o controle do Nintendo Wii, como foi um dos que o fizeram com mais competência até hoje. “Era algo incrível. Passava uma segurança e, ao mesmo tempo, despertava nas pessoas a sede por novidades, superar limites”, escreveu um colunista do NY Times à época.

DIAS DE GLÓRIA

Osvaldinho Assunção foi o modelo-de-mão por trás do lançamento revolucionário da Nintendo. "Gostava muito do trabalho, apesar de não concordar com o excesso de Photoshop nas fotos de divulgação", revela.

“Perobinha”, como era carinhosamente conhecido pelos amigos em NY, foi descoberto pela Nintendo quando fazia malabares em um desses parques que a gente não cita o nome para não passar a impressão errada aos truta. “Não tinha ideia do que eles estavam falando. Lance de revolução e tal… Fui mesmo porque sempre gostei de ajudar, estar presente”, diz Osvaldinho hoje, morando em Londres.

Foi um período intenso e cheio de realizações. De 2006 a 2008, Osvaldinho teve tudo que poderia querer. Discos do Jay-Z, modelos, fama “nas pequena”, dinheiro para a família. Mas um descuido na hora de ler os contratos fez seu sonho desmoronar em 10 minutos, quando tudo parecia ganho.

CASA X PÃO PULLMAN

Com a chegada de novas cores do Wii Remote, Osvaldinho perdeu espaço para outros modelos. Na época, ele também não deu sorte ao escolher o cachê: trocou essa casa em Santa Monica (Califórnia) por dois anos de Pão Pullman com geléia Quero.

Na segunda etapa da campanha da Nintendo foram lançados os modelos coloridos do controle Wii Remote. Osvaldinho estranhou a presença de outros modelos no estúdio no dia da gravação, e sua suspeita logo foi confirmada pelos diretores: a Nintendo usaria um modelo para cada cor de controle na peça publicitária. Desorientado, mas ainda confiante, Osvaldinho deu o melhor de si (controle vermelho na foto acima) e ficou contente com o resultado. Na hora de escolher o cachê, porém, um golpe do destino o aguardava.

As opções eram uma casa gigantesca em Santa Monica (Califórnia), perto da praia e da E3, ou 2 anos de pão Pullman e geléia Quero (uva ou morango). “Era um momento difícil e eu precisava pensar no futuro. Seria um erro escolher a recompensa imediata, então decidi pela provisão de pão e geléia, a casa poderia esperar”. ]

DE NOVA YORK PARA A PAULISTA

Não demorou muito para Osvaldinho perder tudo. Ele se mudou de Nova York para a Avenida Paulista, ali perto do Big Pastel, onde chegou a ser reconhecido por jogadores e fãs das empresas de videogame.

Antes que o estoque de pão Pullman começasse a vencer, a ruína de Osvaldinho já dava sinais inquestionáveis de vitória. Abandonado pela família, sem videogame e sem os convites VIP da Nintendo para a E3 2008, o brasileiro filho de brasileiros foi obrigado a voltar ao Brasil, mais precisamente à Avenida Paulista, em São Paulo.

Osvaldinho passou mais de um ano por ali, sempre com a bandeira brasileira e umas frases sem sentido que murmurava quando alguém passava perto. Com uma dieta ainda baseada em pão Pullman (a cota não tinha trava de região), mas já sofrendo os efeitos de uma anemia, Osvaldinho chegou a ser reconhecido por fãs diversas vezes. “Eles tiravam foto, queriam saber como era trabalhar com o Miyamoto, criador do Luigi”, conta. “Até chegaram a pedir pra eu segurar uns controles lá que eu nunca tinha visto”, explica, sobre o que possivelmente fossem joysticks do GameCube ou da Clone.

Mas, quando tudo parecia perdido, e nosso herói vinha perdendo prestígio nas ruas para o Big Pastel, algo mágico aconteceu. Algo mágico e, mais uma vez, revolucionário.

MOVE, MODAFOCKA

A volta por cima veio com o PlayStation Move, numa peça publicitária em que o brasileiro surpreendeu os executivos japoneses. O uso do Photoshop, porém, ainda pode ser percebido.

Em 2009, a Sony planejava o anúncio de um novo controle para seu PlayStation 3. Algo semelhante a um desodorante stick (na forma) e a um sinalizador de manobras de avião (na função). Uma ideia brilhante, mas que precisava do aval de alguém que tivesse experiência na área, transmitisse confiança e alegria. Agências de modelos foram reviradas, testes infinitos foram feitos. E nada. Até o dia em que Osvaldinho, fazendo malabares na Paulista com a Brigadeiro, foi novamente descoberto. Em um teste rápido, pediram a ele que segurasse um guarda-chuva, único objeto mais ou menos disponível por ali, e a química foi perfeita. Em pouco dias, Osvaldinho já havia se mudado para os Estados Unidos novamente, e estava pronto para protagonizar o anúncio do PlayStation Move, o novo controle da Sony. Dessa vez, ele exigiu que não fossem utilizados outros modelos, e foi atendido. Na foto de divulgação, o brasileiro aparece sozinho, dominando a linha de cores do Move.

Dessa vez, a linha colorida fez parte do lançamento inicial, e o destemido brasileiro foi absoluto, inaugurando uma nova fase em sua vida. Para o cachê, Osvaldinho dispensou esse pedaço de ilha em Ibiza e ficou com três convites do Google Wave e mais um CD do Justin Bieber (autografado).

Com os direitos de imagem, Osvaldo decidiu mudar para Londres, onde a PlayStation Network tem um sinal mais forte, e uma comunidade mais unida. Na hora do cachê, as opções eram um pedaço de ilha em Ibiza, com tudo pago, ou três convites para o Google Wave e um CD do astro Justin Bieber (com código para download das MP3). Osvaldo, mais uma vez, pensou no futuro, na realização de seus planos. Ficou com o Wave e o garotinho juvenil. “Não tem medo de ter feito uma escolha tão arriscada?”, “Sabia que a Microsoft, por exemplo, não vai ter esse lance de segurar controle?”, perguntamos, enquanto ele ainda configurava seu Google Profile. “Meu único medo, meu filho, é ser acusado de Nintendista ou vira-casaca. Essas coisas realmente me machucam, rapaz”, confessou, minutos antes de disparar o primeiro dos três convites do Wave.

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Renato Bueno é vítima da sociedade, e por isso joga tudo essas porcaria de joguinho.