Guru dos games estará na Feira do Livro de Paraty, a FLIP

Faltam cerca de 7 meses para você descobrir que existem livros sobre videogames, mas o maior autor do gênero já está com passagem comprada para o Brasil. Mais especificamente, para Parati (na divida Rio de Janeiro / Niterói), onde vai encarar a FLIP, Feira Internacional de Leitura de Paraty. Mais honestamente, passagem que ainda não está literalmente comprada, nós só quisemos dar a entender que o cara vai aparecer e tal.

O cara é Marcelo Calligaris, profissional das letras que desde tenra infância manipula As e Bs com absoluta maestria (o domínio do Select veio só por volta dos 6 anos, bem como a tardia descoberta do R2 apertado). Ele esmerilhou milhares de games, capturou telinhas e contou “como chegar ao final” em pelo menos 35 livros traduzidos para cerca de dois ou três idiomas. Na carreira bem sucedida, tornou-se referência e recebeu diversos prêmios, sendo considerado Homem das Letras em 1999, antes mesmo de tudo essas várzea de Play 1, Play 2.

"Cartas a um jovem Gamer" (ISBN: 978-85-359-1226) é a obra mais recente de Marcelo, embora a foto da capa seja do início da carreira.

Por causa do sobrenome, Marcelo já se envolveu em grandes enrascadas em hotéis e campings por toda a região de Aberdeen, onde deu início a suas atividades. “Foi difícil, não vou dizer que não foi. Se eu disser que foi tranquilo não vai fazer sentido todo esse hype em torno de minha obra”, explica. O convite para a Feira Internacional de Leitura de Paraty só surgiu quando Marcelo aceitou escrever o nome de cidade com Y no lugar do costumeiro I. “É um problema, você sabe. Quem jogou no Mega de 6 botões frontais está ciente dos riscos de se mexer com o Y, principalmente a essa hora da noite”, delineou.

Marcelo está escalado para uma mesa-redonda (espécie de debate com mediador) com outras celebridades e figurinhas carimbadas de outras edições da FLIP. Ele não esconde o nervosismo, sabe que vai precisar sondar o ambiente enquanto os velhos conhecidos já terão mesa reservada nos melhores bares e conexões 3G mais ágeis para baixar os torrents no Kindle. Mas tudo isso parece não abater o velho talento, tardiamente “descoberto” pelos organizadores.

Reprodução do esboço original feito por Marcelo em 1989 e que acabou sendo adotado pela Sega como padrão para o Mega Drive. Modelo inagurou a utilização de consoantes dissonantes em golpes aéreos e turbo (para jogos de corrida, no caso).

“É a vida, mermão. No final do fervo esse Chico Buarque vai ser meu, tá ligado?”, provoca, como só os grandes mestres ousariam. Marcelo vai participar da Mesa Zé Kléber, que pretende discutir mapeamento de controles, revisões de combos em Virtua Fighter e fatalities de Mortal sob o viés Ferreira Gullar, poeta catarinense que muito pouco não se envolveu no escândalo do goleiro Bruno, do Flamengo.

O grande medo, segundo o autor, é não ser compreendido pela Ala dos Ícones, formada por adeptos da linha PlayStation e o sistema crossbox – que utiliza ícones e grafismos no lugar de letras. “É um preconceito muito grande, e há tempos venho lutando contra isso. Precisamos de união, e não de conflitos internos“, idealiza.

Manifestantes anti-letras não vão afetar performance em Paraty, promete guru dos games.

Mas Marcelo não vai apenas falar sobre videogame e valor de impostos no Brasil. Ele quer curtir, aproveitar o ambiente, conhecer pessoas – e diz que está pronto para isso. “A imprensa divulga uma imagem muito errada de nós, acadêmicos dos games. Nós também sabemos curtir”, aconchega. Para provar, Marcelo nos mostra algumas fotos de momentos intensos e descontraídos que permearam sua carreira. Churrascos, festas, despedidas de amigos que foram para a França e jamais deram notícias. Seja você um adepto das letras ou um defensor dos ícones, a presença de Marcelo em Paraty é uma chance que não se pode jogar fora, como provam as fotos a seguir.

Em visita ao litoral de Santos, quando realizou palestrar e visitou casas de fliper desconhecidas do grande público.

Momentos de alegria provam que a vida de um jogador não é só sofrimento no Wing Elévi, como diz o próprio autor.

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Renato Bueno é vítima da sociedade, e por isso joga tudo essas porcaria de joguinho.