Impávido que nem Muhammad Ali. Tranquilo e infalível como Bruce Lee. Foi mais ou menos assim que abateu-se sobre a Unesp Bauru um recado involuntário vindo da produtora de games Valve. Responsável pelo jogo de tiro de grande sucesso nas lan houses e nos computadores da família brasileira Team Fortress 2, a empresa decidiu atualizar a classe Engenheiro (Engineer) neste game tão jovial. Ela só não contava que as mudanças poderiam afetar um dos cursos de graduação mais prestigiados do país e das extintas festas de república com Skol a R$ 1,00.
A atualização de Engenheiro em Team Fortress 2 entrou no ar no começo de julho e introduziu mudanças estruturais no jogo. Os Engenheiros ganharam novas arminhas, uma cantina mais protegida das ameaças externas e uma calculadora HP “último modelo”, segundo a assessoria de imprensa (composta pelo pessoal da FAAC, grandes lembranças). No dia seguinte, já se viam os reflexos pelo campus de Bauru. Congestionamento nos lobbys, aumento nos danos sofridos durante conflitos com o pessoal de arquitetura e descontrole com as novas armas adquiridas. Diante da tragédia imimente, os diretores da faculdade cancelaram as aulas por duas semanas e alertaram para mudanças na grade curricular.

Mudanças no currículo de engenharia incluem instruções de Gunslinger e operação remota de Mini-Sentry.
TURMA 2001-2012
“Não se trata de recusar o novo, fechar os olhos para as mudanças inevitáveis”, disse Marco Aurélio Rampazzo, professor de Mecânica e Vice-Tesoureiro da turma 2001-2012 (viagem pra Salvador). “Queremos é preparar nossos jogadores para tirar vantagem disso sem precisarmos realocar o pessoal do jornalismo e TV”, explicou.
Marco Aurélio não escondeu as mágoas com o Atentado de 2005, como ficou conhecido o atentado praticado durante a greve de 2004 na Praça Forte Apache (lado sul, região do xerox). Durante uma recepção aos diretores internacionais da Unesp, recém-chegados do Canadá, o Reitor de Engenharia foi apunhalado pelas costas enquanto apresentava uma nova bobina desenvolvida nos laboratórios da faculdade. A foto abaixo, que registra o momento do golpe, foi reproduzida em diversos jornais da região na época, mas não chegou a vazar na internet.

'Esperamos não ser apunhalados pelas costas novamente', disparou o coordenador de curso de Engenharia da Unesp Bauru.
POR UMA VAGA NO MERCADO
Os alunos não temem a extinção do curso. Eles também esperam que as mudanças venham para somar, apesar do susto inicial. Conversamos com alguns deles, que não quiseram se identificar, durante um churrasco beneficente na tarde de domingo. Carne e cerveja eram servidos em abundância, e pudemos ver claramente a utilização de uma faca Tramontina provavelmente comprada na promoção de quarta-feira do supermercado Extra.
“Vai ser um desequilíbrio muito grande nas partidas em payload ou King of The Hill. Vamos precisar de um apoio dos Médicos, que deverão vir de Sorocaba, mas também não podemos descartar o pessoal do Dadica tão cedo”, disse um dos Engenheiros, referindo-se aos malabares pirofágicos dos estudantes de comunicação.

Estudantes de Engenharia já se posicionaram a favor das mudanças na grade curricular. Parte dessa turma se encontrará no próximo sábado em Monte Sião (MG).
IMAGENS EM BAIXA
Por outro lado, os universitários menos afetados pela mudança de currículo mostram uma preocupação da ordem das imagens digitais. “É um absurdo. Mesmo com o Google não conseguimos achar fotos dos professores, quem dirá do próprio campus”, disse Marcelino Ritz, veterano que só volta a Bauru vez ou outra. “Na nossa época tínhamos um acervo vasto, e olha que usávamos uma Mavica de disquete emprestada. Tínhamos os melhores ângulos, um enquadramento e senso de oportunidade únicos. Mas agora, com essas novas turmas, é tudo uma tragédia. Só conseguimos uma foto da caixa d’água, mal tirada”, protesta, referindo-se à imagem da portaria roubada de algum photobucket da vida e vítima de um crop fundamental antes da publicação.

Caixa d'água foi, durante anos, melhor ponto de sniper no campus de Bauru. Reformas pós-2005, porém, permitiram que os inimigos passassem a flanquear os atiradores.
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Ouvi falar que essas mudanças vão ser aceitas na Unesp da minha cidade, Rio Claro. Antes disso, tinha um monte de brucutu jogando de Heavy e muito cientista que, na falta de opição, era médico.