Anais de Tecnologia: Freeko desvenda o “bom-selvagem” da rede

Para comprovar teoria, nosso gonzo repórter ainda tropeçou na net durante compra virtual.

Sim, amigo leitor, agora é aquele momento chato no início do texto em que se usa um conceito teórico para explicar a expressão entre aspas no título. Eu sei, você tem razão. Do lado de cá ninguém aguenta mais mexer com isso também.

Para o teórico João Jair Rousseau (a livre tradução de nomes gringos e estrangeiros é um dos preceitos do Manual de Blog Jornalismo Freeko – pág. 18 ou 66), a liberdade natural caracteriza-se por ações tomadas pelo indivíduo com o objetivo de satisfazer seus instintos, isto é, com o simples foco em suas necessidades. O chamado “bom-selvagem”, com hífen, é o tipo de sujeito que faz o que tiver de fazer para saciar suas vontades naquela ocasião, sem pensar nas consequências que isso vá trazer – ou quanto espaço isso tudo vai ocupar no seu Xbox 360[bb] modelo Arcade.

No mundo virtual, desde que acabou aquela história de conexão discada, nota-se, gradativamente, um aumento no registro de fenômenos sociológicos. Como na formação histórica do pensamento moderno, o homem em contato com o computador, os sites, as redes sociais, os chats e o antivírus, aos poucos desbrava áreas do conhecimento e, naturalmente, sofre suas consequências.

Gregos: que turminha boa, né gente?

L.S.F. tem 21 anos e é leitor assíduo do Freeko – aliás, um abraço, querido! Obrigado pela audiência! Enfim, L.S.F. trabalha durante o dia em uma repartição e, nas madrugadas, é um assíduo usuário de internet em seu PC turbinado no quarto. Em meados de 2007, foi acometido por uma febre do mundo online: a barganha dos mais variados produtos em sites de venda. O vício foi imediato, mas durou apenas três dias – tempo suficiente para que seu login e senha fossem roubados e ele tivesse um prejuízo anunciado de R$ 25 mil, tendo comprado apenas uma manopla para sua Mountain Bike.

“Rapaz, eu não sei o que aconteceu, mas só em produtos ondontológicos foram mais de R$ 8 mil”, relatou o jovem, que chegou a adquirir, sem saber, a edição nº 1 do gibi do Zé Carioca, traduzido para esperanto. Os devidos cancelamentos puderam ser efetuados a tempo.

DE ONDE TC?

O desespero do pobre cidadão estava longe de cessar. Pouco tempo depois, em uma solitária noite de quinta-feira, o aspirante a roqueiro buscou refúgio em uma sala de bate-papo temática: Música, Bandas e Afins.

Lá conheceu *SuicideMetalFashiongirl17, um relacionamento que se iniciou na confusão do chat e que, momentos depois, já povoava o MSN de L.S.F. Ambos estavam solitários, tinham idades parecidas – na época ele tinha 18 –, os dois amavam Knife Party, do Deftones (versão lual aqui), e não moravam tão longe. Exatos 85Km separavam uma boca da outra – Freeko não vai revelar as municipalidades pois não está nem um pouco afim de arcar com despesas jurídicas, por enquanto.

L.S.F. não pensou duas vezes: colocou 15 cruzeiros de gasosa em sua motocicleta e caiu na estrada. Mais uma vez, ali estava o “bom-selvagem” de Rousseau. *SuicideMetalFashiongirl17 era Laurinda, mãe de três filhos. O primogênito era dois anos mais velho que o pretendente a padrasto. Ela tinha mesmo os 17 anos, porém, eram de Estado, lecionando na rede pública de ensino. Ao todo ela colecionava 40 primaveras – a de número 41 chegaria logo no mês que vem.

Para um sociólogo sem nome (e sem camisa) ouvido pela reportagem no Chat Roulette, a teoria de Rousseau é explícita no exemplo acima. “L.S.F. nada mais é que a pura aplicação do conceito do ‘bom-selvagem’, que, diante de suas vontades mais intensas, submete-se a todo tipo de carniça da internet”, ressalta o semi-peladão.

À ciência, se constrói.

A ARTE DE SUJAR OS SAPATOS

Totalmente entretido com o tema acima desenvolvido, o repórter teve a brilhante ideia de adquirir o livro Rockers, do fotógrafo Bob Gruen, com exuberante desconto em uma loja virtual e sem qualquer tipo de dedicatória.

A vontade de possuir o bem de consumo, de forma ágil e sem dificuldades, fez com que o comprador corresse ansioso para os mecanismos online. A conexão de internet não ajudou e a falta de paciência nos cliques finais rendeu a bagatela de três livros Rockers, do mesmo fotógrafo – dava até para fazer sopa.

Nesse momento, quem posta no Freeko é um estagiário, já que o titular está no serviço de atendimento da livraria em busca de dois cancelamentos de pedidos. Coisas da sociologia clássica em aplicação na modernidade e dos bares de piada na era do stand up comedy.

Sociologia clássica, stand up BR ou simplesmente um ziriguidum?

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Jornalista nascido na querida Pirajuí e estragado em São Paulo. Acredita que a destruição total do sistema virá com o RB apertado e não jogou (ainda) Street Fighter IV valendo dinheiro.