A severidade do cenário musical brasileiro para artistas internacionais deixa claro que, se uma banda vem para cá religiosamente todos os anos, com pouca ou quase nenhuma mudança no repertório, temos duas possibilidades. Ou trata-se de uma escalada para o fracasso, ou tem alguém forte pegando a mulher do dono.
O Deep Purple já passou por isso. Tony Bennett também. Não preciso citar o Paul Di´Anno, eterno ex-vocalista do Iron Maiden, preciso?
Esse é o tipo de constatação que está longe de ser aplicada ao Video Games Live. O esqueleto do espetáculo, composto por Tommy Tallarico (conducere e apresentador de feira agropecuária), uma orquestra, um coral e um trio de convidados, tem tudo para gerar o tédio, mas o que se vê é a devoção, culto à nostalgia e uma quaaaaaaaase histeria de fãs dedicados. Trata-se de uma plateia classificada pelos guias de entretenimento entre 7 e 12 anos de idade, mas é difícil enxergar alguém sem barba por lá – só as garotas e cosplays.
Enquanto as fotos do show não chegam de Franca (SP), a reportagem será ilustrada no Paint Brush. No detalhe, o showman Tommy Tallarico.
QUEBRA TUDO, TALLARICO!
“Eu marquei presença em todos os anos, desde 2006, mas espero que hoje eles toquem mais coisas novas e NÃO FAÇAM NADA DO SONIC, que causou muita polêmica da última vez e a galera não curtiu”, disse um carinha à reportagem do Freeko ainda na fila do HSBC Brasil, em São Paulo, na sexta-feira (08/10). Sonic, The Hedgehog foi a música de abertura e, acreditem, o mesmo rapaz vibrou muito e deu vários soquinhos no ar ao lado da tímida namorada.
Se o ouriço mais bem pago do mercado – a Forbes listou que ele está pau a pau, em gênero, com o texugo das Crônicas de Nárnia – serviu para agitar a rapaziada do fundão, também foi o “esquenta” para a chegada do mestre de cerimônias TT (já sei no que você pensou), que sempre garante o show.
No verbete Participações Especiais, as presenças de Gerard Marino, que mexeu bem o molho na trilha de God of War, e o empolgado Akira Yamaoka, da família Silent Hill . Também esteve por lá UM JAPONÊS MARAVILHOSO, MAGNÍFICO, que fez miséria no piano com medleys de Final Fantasy e Super Mario, com os olhos vendados.
O enviado especial ao VGL estava em um canto meio obscuro da pista do antigo Tom Brasil, esmagado entre um profissional liberal e um casal que, se por um lado exalava paixão, por outro não era muito fã do advento do desodorante spray (pelo menos da parte masculina, imagino). Sendo assim, o set list pode estar recheado de equívocos – daí vocês comparem com outros blogs mais confiáveis ou mandem recados ameaçadores para o editor sobre possíveis correções.
VGL, 8/10, HSBC Brasil, SP
Musiquinha do Sonic
Musiquinha do Megaman
Musiquinha do Assassin´s Creed 2
Musiquinha do Uncharted 2
Musiquinha do Advent Rising (não é dos primeirões esse jogo, né?)
Musiquinha do TRON (só do antigo)
Musiquinhas do Final Fantasy (não a principal ainda, fica frio)
Musiquinha do Zelda (delírio geral #1)
Musiquinha do God of War
Musiquinha do Castlevania
Musiquinha do BioShock
Musiquinha do World of Warcraft
Musiquinhas do Super Mario Brothers (ninguém escreve assim, fica estranho)
Musiquinha do Top Gear (TT deu a letra que só no Brasil esse jogo faz sucesso)
Musiquinha do Guitar Hero: Van Halen
Musiquinha do Super Street Fighter II (Cel. Guile, Ryu, Ken – nem sinal de Blanka)
Musiquinha do Silent Hill 2
Musiquinha do Final Fantasy VII (agora sim: SEPHIROTH!! Aaaaaaah, muleque piranha!)
Bis:
Musiquinha do Chrono Trigger
Musiquinha do Portal (pique More Than Words)
PEQUENAS ORQUESTRAS TEMÁTICAS, GRANDES NEGÓCIOS
Tommy Tallarico uniu duas paixões mundiais em um modelo de empreendimento que não falha, principalmente no Brasil, que ama esses dois conceitos: música e videogame.
Não contente em ter profissionalizado essa ideia, Tallarico ainda integrou o mercado de compositores à sua proposta e fez um excelente uso do humor nos vídeos da internet como se fossem vinhetas do espetáculo – coisa que o Rush, por exemplo, ainda nem ficou sabendo.
O Video Games Live é, sim, um grande show, de altíssima qualidade – não sei se o apreciador de música clássica divide a mesma opinião. Mas, antes de tudo, é um baita negócio, um empreendimento rentável que tem um exército trabalhando a seu favor. Não vivem de incentivos do mercado independente ou ideológico, como muita proposta boa por aí. Nada disso, são bancados por fãs que pagam – e caro – pela própria devoção e pela chance de gritar e socar o ar em ambientes cobertos.
E, que fique bem claro, não há nada de ruim nisso.
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Continua então como todos os anos. Até a ilustração no paint é igual.
Po, muito boa matéria. Mas melhor ainda foi eu e o Marcel sentados na primeira fila, e o menininho chorando na música do Zelda!