Camaleão-Fashion, Nipo-Hype ou Voltar ao Menu Inicial? Style. Estilo. Yamada. O ícone que se desvenda diante de nossos olhares enquanto o relógio de alguma redação marca algum horário que será citado pelo repórter no início de uma entrevista provoca indagações diversas. A camisa xadrez aqui, o hoodie desproposital ali, a camisa navy que parou a balada na Liberdade enquanto meros amigos celebravam a visita de um irmão depois de 500km de ônibus. Ele veio pra ficar (o Yamada, não o irmão – que desde então largou a faculdade, começou outras bandas e voltou pra faculdade, mas agora em Ourinhos [780km]).
“O point é chique”, define Junji Yamada em um dos emails trocados no restaurante em que nos encontramos para uma conversa sincera. Ele se refere ao estabelecimento modernoso que sugeriu, na esquina da Rua Oscar Freire com a Avenida Berrini. “Estilosamente atrasado” é como Junji descreve sua chegada antes de pedir desculpas e um appletini. Usando três hoodies, um chiuaua vivo e peças (de) xadrez, o ícone fashion evita comparações. “Se eu sou o Kanye brasileiro? Não sei”.
Yamada é para poucos. E o atalho até ele deu-se através de outro japonês, também magnífico e maravilhoso, mas com menos peças da Zara - história que detalharemos num futuro de médio prazo. O que se segue aqui é uma iluminada, iluminante e iluminadora, mesmo que breve, conversa com uma mente que muitos tentam entender (incluido o próprio Junji) e quase ninguém (incluindo o próprio Junji) consegue. Nossas definições de vida – e nossas camisas xadrez de gola levantada na night – nunca mais serão as mesmas.
Bueno – Vamos começar pesado, pra destruir sonhos e inutilizar guarda-roupas desde cedo. Gola V ou camisa xadrez?
Yamada - É osso escolher. Mas assim: no meu estilo, dá pra combinar os dois ao mesmo tempo. Dá, por exemplo, pra usar uma camiseta básica, gola em V, por cima de uma camisa xadrez. Certeza que fica fimeza. Ó, até rimou!
Doda – Como aplicar a filosofia “Lealdade, Humildade, Procedimento” ao guarda-roupa sem gastar muito, mas mantendo o look antenado?
Yamada - Tem que ser simples, tá ligado? Costumo dizer que hoje em dia o ousado é ser simples. E isso tem tudo a ver com meu mantra da LHP.
Pirajuí – Você joga O videogame ou acha isso brega? Você postaria uma foto sua jogando O videogame? (caso já tenha postado, não ligue, pois a internet aqui tá braba pra abrir sites com fotos)
Yamada – Não jogo porque não tenho O videogame. Roubaram meu Play 2 uns tempos atrás e aí fiquei sem. Foi osso. Mas não é brega, não, é firmeza! Aliás, se quiserem me arranjar um Play 3, na lealdade, tamos aí! Só não sei se teria muito tempo de jogar. Fico pouco tempo em casa. Geralmente tô no procedimento, procurando inspirações e estilo.
Bueno – Deve ser punk. Mas como estar na moda sem ser um escravo da moda?
Yamada - Essa é fácil. Na humildade, tá ligado? É só você ser você mesmo. Não é porque as pessoas falam que você não tá na moda que vai deixar de usar as coisas. É só se sentir bem com o que você usa.
Gus – Essa questão do geek chic é moda ainda ou já passou?
Yamada - Olha, tô ligado nesse movimento geek chic, mas não é a minha. Muita gente usa, mas não tem nada a ver comigo. É como disse antes: cada um tem que se sentir à vontade com o próprio look. Aí, mesmo usando óculos de nerd e outras coisas, é firmeza. É estilo. Não tem nada a ver com o meu, mas é estilo.
Doda – Você saiu de casa todo na pinta, mas não encontrou amigos, não azarou minas e nem compartilhou esse estilo com uma bela foto nas redes sociais. Se ninguém viu, o look existiu?
Yamada – Opa, existiu sim! É tipo aquele lance do futebol: treino é treino, jogo é jogo. Pra jogar, tem que treinar? Vale pelo lance de você experimentar, ver se ficou bacana, nem que seja só pra você mesmo na frente do espelho. Mas vou jogar a real: alguém sempre vai ver. Afinal de contas, não estamos sozinhos neste mundo.
Pirajuí - Que personagem de videogame adornaria um look seu?
Yamada – Acho assim. Meu cabelo é obviamente inspirado no Sonic. Espetado, porco-espinho, tá ligado? Como eu jogo bola, costumo dizer, na humildade, que tenho um estilo meio Allejo, meio Janco Tiano. De estilo mesmo, ninguém bate o Ezio, do Assassin’s Creed. O cara é ninja, usa um hoodiezinho, tem aquele estilo ‘des’ (pojado, contraído, colado). É muito firmeza!
Doda – É possível analisar a personalidade de uma pessoa a partir do hoodie que ela veste?
Yamada – Olha… O lance é usar hoodie. Se usou, tá firmeza. Sabendo compor o look direitinho, qualquer hoodie fica show de la pelota (Nota da redação: essa expressão deve ser lida com sotaque paraguaio).
Gus – É errado ser gordo?
Yamada – Nada é errado. Errado é achar que alguma coisa é errada.
Pirajuí – Seus pensamentos também envolvem o âmbito político? Há essa preocupação?
Yamada – Só quando o assunto é moda. Acho da hora esse lance de a galera que não tinha grana agora ter e poder se preocupar com o estilo. É só olhar nas ruas que fica claro que todo mundo tá mais preocupado com a moda, o estilo.
Pirajuí – Como você encara o advento da Abercrombie & Fitch e da Hollister no mercado?
Yamada – Pra mim, são marcas mais de boy. E comigo, é na humildade, um estilo ‘des’. Até tenho uma pólo da Abercrombie & Fitch. Minha mãe que me deu, mas não curto muito não. Tanto que ainda nem usei. Mas não quer dizer que não usaria. Se o style for cool, tanto faz a marca.
Pirajuí – E a mulherada, Yamada? Elas buscam os caras mais estilosos ou quem leva vantagem são os agroboys ou mecânicos de novelas mexicanas?
Yamada – A mulherada olha, tá ligado? Quando você não conhece a pessoa, a primeira impressão conta muito. E me vestir bem faz uma diferença. Eu me arrumo porque gosto de estar bem comigo mesmo. O resto é consequência do trabalho. Aí, na humildade, qualquer um pode se dar bem – o agroboy, mecânico. O lance é o papo depois. É aí que a mágica acontece. Pelo menos a minha.
Pirajuí – E por falar em minas, você não tem um pessoal aí pra arranjar pra gente? A coisa tá feia por aqui…
Yamada – Tenho comigo um lema que se aplica bem a essa situação de vocês e que costumo seguir no meu dia a dia. Ou melhor, no noite a noite. É assim: “Gol de bico também tira zero do placar”. O lance, galera, é não se preocupar, não se desesperar, tá ligado? É só ficar na boa que uma hora a bola aparece e você manda pra dentro do gol. Aí, é só sair pro abraço. (risos)

Foto publicada originalmente em fevereiro de 2010 mostra Yamada sendo comparado a um relativamente bem relacionado jornalista do setor automotivo e de eletrodomésticos
Bueno – Certa ocasião, você foi flagrado pela reportagem de Freeko numa balada da Liberdade, fato que gerou comparações equivocadas com um outro conhecido nosso. Você daria algum conselho a ele?
Yamada – Japa ele já é, né? Já conta pontos. Daí, é só colocar uma gola em V, um listradinho ‘navy’, dar aquela arrepiada no cabelo. E a breja na mão, né? Seguindo essas dicas, ele vai arrasar. (risos) Na humildade. Mas o cara tá no estilo dele. Se tá feliz, à vontade, tá show de la pelota.
Pirajuí – Junji [agora que está no final, podemos te chamar de Junji?] Enfim… Junji, para fatalityzarmos o assunto, o que você me diz do estilo de cada um dos integrantes dessa pocilga chamada Freeko?
Yamada – O Bueno tá firmeza: xadrez, tirando foto das minas com o iPhone, cabelo pra cima e pulseira de balada. Tá de Buena. (risos) O Doda mandou bem: cervejinha na mão, mano. Fechou! O Pirajuí também: breja, gelzinho, jaco com hoodie e gola em V. Pronto pra arrasar. E o Gus. Sobreposição. Blazer. Camisa xadrez. Agora cadê as minas dessa redação aê, minha gente?
Bueno – Eh… então… estamos pra selecionar algumas, chegaram uns currículos. Mas diga: como os leitores de Freeko podem acompanhar seus looks e ficar por dentro do que tá rolando nas quebradas?
Yamada – É só conferir todo dia o meu blog, o Yamada Style. Ali, conto um pouco sobre mim, comento as tendências e falo das coisas que mexem comigo. Às vezes não dá pra atualizar todos os dias, porque sou um cara responsável e tenho que ralar pra sustentar meu estilo. Mas se algum dia conseguir fazer uma grana com esse meu trabalho, aí vai ser firmeza. Tudo, claro, com muita humildade, lealdade e procedimento.
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Grande heroi. Ter estilo é para poucos.
Bela entrevista com o Yamada, mas vem cá, ele foi coagido a elogiar o estilo da equipe né? Só pode.
Estoy de cara. Não é que os minos também entendem de moda? Show de la pelota!